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Posicionamento da SBN sobre vacinação da febre amarela

Posicionamento SBN

A Sociedade Brasileira de Nefrologia em virtude da situação de aumento de caso de febre amarela em nosso país vem por meio desta newsletter orientar seus associados sobre vacinação para a Febre Amarela (VFA) nos pacientes portadores de doença renal crônica  em especial aqueles em tratamento dialítico e os transplantados renais.

1) A vacina contra febre amarela em pacientes portadores de DRC, incluindo pacientes em diálise, deve ser avaliada com cautela, devendo ser considerado o risco da área em  que o paciente vive ou irá viajar, e a situação de imunodepressão em que se encontra. Os indivíduos vacinados podem desenvolver baixo grau de viremia dentro de 3–7 dias, sendo que a viremia, pós vacinação, pode ser suficiente  para transmissão através de hemotransfusão. Há poucos estudos na literatura em relação à vacinação nos pacientes portadores de DRC em diálise.   Em estudo publicado em 2016, Facincani e colaboradores acompanharam 45 pacientes em diálise que receberam a vacina, a qual se mostrou segura, onde 24% dos pacientes apresentaram evento adverso leve e 4.4% tiveram febre após a vacinação (1). Aqui vale ressaltar novamente que é necessário se avaliar individualmente a indicação da vacina, mediante situação de risco em adquirir a doença.

2) São contra indicações na utilização da vacina :

  1. a) Pacientes com imunodeficiência primária ou adquirida;
  2. b) Indivíduos com imunossupressão secundária à doença ou terapias; Imunossupressoras (quimioterapia, radioterapia, corticoides em doses elevadas);
  3. d) Pacientes em uso de medicações antimetabólicas ou medicamentos modificadores do curso da doença (Infliximabe, Etanercepte, Golimumabe, Certolizumabe, Abatacept, Belimumabe, Ustequinumabe, Canaquinumabe, Tocilizumabe, Rituximabe)
  4. e) Transplantados e pacientes com doença oncológica em quimioterapia;
  5. f) Indivíduos que apresentaram reação de hipersensibilidade grave ou doença neurológica após dose prévia da vacina;
  6. g) Indivíduos com reação alérgica grave ao ovo; pacientes com história pregressa de doença do timo (miastenia gravis, timoma).

3) Lembremo-nos que não é recomendada a vacinação contra febre amarela de pessoas vivendo fora de áreas endêmicas, uma vez que o risco da vacina suplanta seus benefícios. Só é recomendada a vacinação para febre amarela em pessoas vivendo ou que vão viajar para áreas endêmicas para febre amarela. Recentemente a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), em parceria com a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e a Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT) lançaram um nota técnica estabelecendo alguns critérios relacionados a pacientes imunossuprimidos, as quais destacamos alguns pontos :

  1. a) Recomenda-se não realizar a vacinação em pacientes que estejam sob alto grau de imunossupressão .
  2. b) Em situações de risco, onde houver a indicação da vacinação, recomenda-se um intervalo mínimo de 4 semanas antes de iniciar ou reiniciar o tratamento com medicações imunomoduladoras e imunossupressoras.
  3. c) Não aplicar vacinação concomitante com outra vacina de vírus vivo atenuado, principalmente a tríplice viral (sarampo, rubéola e caxumba), varicela e dengue. Recomenda-se um intervalo de 28 dias entre estas vacinas.
  4. d) Não há contraindicação da vacinação para contactantes de pacientes imunocomprometidos, pois a transmissão do vírus vacinal, sem a participação do vetor, está documentada somente pelo leite materno, através da doação de sangue e, possivelmente, por acidente com material biológico.
  5. e) Uma revisão sistemática realizada pela OMS com a administração de dose fracionada demonstrou não haver inferioridade na resposta imune. Martins e Cols mostraram que a soroconversão ocorreu em 97% dos participantes após 30 dias e os anticorpos​ neutralizantes ​atingiram​ títulos ​equivalentes ​à​ dose ​padrão (3)

Em face destas evidências até o momento NÃO RECOMENDAMOS A VACINAÇÃO EM PACIENTES TRASNPLANTADOS RENAIS.

 

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